10 coisas sobre ser um artista que os professores de arte não falam
(texto traduzido, original disponível em:http://www.guardian.co.uk/
O que estudantes de arte precisam saber: Ser criativo pode ser um sustento? A resposta é mais complexa do que você imagina.
Existem muitos mal entendidos sobre o mundo da arte. Peça que alguém descreva o que significa ser um artista, é provável que surjam duas ideias de pontos opostos. Não existe meio termo, nem estabilidade ou segurança: existe apenas aqueles que conseguem chegar lá e aqueles que não conseguem.
O modelo do artista-fracassado é de um sujeito dedicado, talentoso, mas tragicamente pouco apreciado. Infelizmente seu trabalho só será reconhecido após sua morte. O outro ponto é do artista-celebridade. Os conceituais, os YBAs (Young British Artists) , os Damien Hirsts – estes personagens astutos são capazes de vender qualquer coisa, especialmente se tiver um certo desperdício de material biológico artisticamente trabalhado. Caso você siga o opinião popular, o setor de criatividade é uma grande aposta arriscada, enfrentada apenas por imprudentes ou masoquistas. Mas se você é um estudante de arte é preciso saber se esses dois caminhos opostos encontram base na realidade.
Eu completei 3 anos na escola de artes e agora sou uma estudante MA ( não sei o que isso quer dizer). Até onde eu posso perceber a realidade é diferente desses dois extremos. Com todo o estereótipo existente é difícil para o estudante entender o que pode esperar de uma carreira em artes. Então vamos tentar deixar as coisas um pouco mais claras e talvez desconstruir alguns mitos. Segue uma lista de 10 verdades sobre trabalho, vida e lazer (o original é leisure, talvez tenha uma tradução melhor de acordo com o contexto), na industria criativa.
1. Muitos artista são freelancer (em português usamos o mesmo termo).Uma pesquisa da Arts Council descobriu que 41% das pessoas que trabalham com criatividade são autônomas. Contratos de trabalho temporário podem trazer a possibilidade de uma carreira variada e interessante, embora períodos sem trabalho possam ser uma realidade.
2. O artista freelancer deve ser cuidadoso com o orçamento. Ser autônomo significa estar sem pensão, pagamento de férias ou seguro maternidade. Situações como doenças ou ter um filho requerem planejamento financeiro prévio.
3. Artistas fazem autopromoção. Muitos apresentam seus talentos no Facebook, Twitter, Tumblr, Linked e também nos próprios sites. Ter uma boa presença online demostra motivação e facilidade com o mundo digital.
4. Artistas adoram socializar. Eventos de Networking (literalmente seria rede trabalho, ou algo assim, não conheço uma palavra em português com este significado e tem-se a tendência de usar a palavra original mesmo) é o equivalente no mundo artístico para job hunting (não conheço uma boa tradução, mas literalmente seria caçar trabalho), mas com menos miséria e mais bebida( booze). Se você está tentando crescer na carreira ou procurando por encomendas ( searching for commissions), Networking é a oportunidade de conhecer profissionais da industria e ter contato com novas oportunidade.
5. Muitos artistas formam coletivos para propagar e produzir seus trabalhos. Kate Rowland, uma ilustradora do coletivo After School Club explica: "Estar no After School Club é muito motivador. Permite que trabalhemos com a habilidade de cada um e assim temos mais recursos para ajudar um ao outro. É como um sistema de apoio criativo. E muito divertido."
6. O portfólio é essencial. As artes visuais possuem uma grade menos centrada em relação às outras disciplinas. Um diretor de arte de uma companhia de design gráfico uma vez disse que pensaria duas vezes antes de contratar alguém com um first-class degree (acho que seria algo como o primeiro aluno da turma, mas não tenho certeza). Eles se preocupava que estas pessoas não teriam tempo para um hobbie fora do trabalho. "eles podem ser muito chatos". Isto não significa que você não deveria almejar alto, outro empregador pode gostar de um candidato first-class (primeiro da turma?). O melhor é que você tenha um portfólio o mais bem feito possível. Bons trabalhos falam mais alto do que notas.
7. Alguns artistas complementam a renda com um segundo emprego. Isto oferece segurança financeira, sendo possível exercitar a criatividade. (No site tem disponível um link com uma reportagem sobre o segundo emprego.)
8. Muitos fazem estágio para iniciar a carreira. Trabalhar para uma empresa pode dar preparo para habilidades industriais e melhorar a capacidade de conseguir outros empregos. A questão do pagamento é uma batata quente (o original é hot potato), em geral, quanto menor o tempo de estágio, é provável que você não seja pago (?in general, the shorter the internship, the less likely you are to get paid.)
9.Oportunidades de trabalho estão crescendo. Atualmente existem 1.9 milhões de pessoas trabalhando na indústria criativa. Para 2016 o governo espera um crescimento de 1,3 milhões de novos empregos, apenas no setor privado.
10. O setor criativo é caracterizado por alto nível de satisfação no trabalho. Dessa forma, o setor é altamente competitivo ( ? and jobs are sought after). Caso você tenha motivação e paixão para seguir em frente neste jogo, então uma carreira no setor criativo pode ser uma experiência excitante e recompensadora.
Mas o que exatamente um graduado em arte pode oferecer ao mercado de trabalho? Digo, o que extamente é a tal indústria criativa? Porque algumas coisas me vem a cabeça, a maioria relacionada a coisas que eu me envolvo (por exemplo, jogos eletrônicos, revistas em quadrinho, etc), onde a presença de desenhistas, por exemplo, é requerida (no trabalho de fazer o tal artwork e concepção artística, no caso dos jogos, ou simplesmente as ilustrações). Fora isso tenho dificuldade de visualizar o que mais pode ser feito. Decoração? Me parece que o trabalho do graduado em arte se aproxima por demais de um designer gráfico, ou estou enganado? Digo isso excluindo o cruel mercado de arte, que, se formos falar dele, vai abrir pano pra manga para outras discussões. De uma forma ou de outra, essa discussão parece ser centrada na realidade estados unidense, um país bem conhecido por sua praticidade, que me parece bem mais inclinado a dar finalidade práticas para todo tipo de atividade (o que inclui arte). Gostaria de ver um estudo semelhante no que tange a realidade brasileira. O que exatamente pode fazer um artista plático? Quais são os potenciais campos de trabalho? Esse tipo de coisa.
ResponderExcluirÉ eu também entendi que o trabalho do artista na chamada indústria criativa fica muito próximo do designer.
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