Um modelo de avaliação estética
Segunda parte do texto de JAMES D. CARNEY .
Frank Sibley produziu um influente modelo de crítica de arte. De acordo com este modelo, avaliar arte envolve razões, dessa forma não é apenas subjetivo. O modelo divide as principais observações em crítica de arte, em 3 grupos:
Primeiro - existem julgamentos fora da questão estética, como: O canto esquerdo apresenta biomorfismo. Julgamentos deste tipo são descritivos ou detalham questões estruturais de uma obra.
Segundo - existem os julgamentos estéticos, como: As cores são vibrantes ou As linhas são dinâmicas. Estes julgamentos são o que normalmente se entende por características estéticas - elegância, ossificado (ossified), equilíbrio, unidade, extravagancia (garish), brilho (flamboyant), harmonia, ritmo - em que um tipo de enumeração é utilizado para especificar estas características. (where some kind of partial enumeration is used to characterize such features).
Terceiro - não existem vereditos definitivos, como: Esta é uma pintura de primeira classe. É comum que características de um tipo sejam utilizadas para descrever um outro, como: Esta pintura apresenta equilíbrio devido a posição da área em vermelho. Termos estéticos como, elegância e vibração, podem ser utilizados com frequência. Devido à presença de características que como curvas, linhas em ângulo, contraste de cor, colocação de pesos, são visíveis com uma observação básica. Razões para um tipo de julgamento podem ser usadas para chegar em um oposto. Exemplo: Esta pintura é boa - ruim - , devido a sua unidade - superficial e apático. Estas razões são justificativas limitadas, pois são "pima facie" (assim está no original, não sei o significado), terreno para virtude (?grounds for merit).
Se um trabalho apresenta unidade, então certamente possui uma virtude "prima facie". É crucial neste modelo a consideração feita para a relação entre estética e características estruturais. São três caminhos no modelo para entender esta relação: 1- reducionismo, 2 - administração categórica das condições - ou o ponto de vista criterioso - (?positive condition governing - or the criteriological view-). 3 - Administração contrária às condições (?negative condition governing.8).
No primeiro e segundo casos existem regras semânticas para aplicação dos termos estéticos. No primeiro uma obra elegante apresenta determinadas características estruturais (has such-and-such structural features). No segundo caso descrições estruturais são normalmente lógicas o suficiente para garantir a aplicabilidade de um termo estético - mesmo que não sejam necessários - a descrição em termos estéticos é real -conceitualmente- em uma obra de arte, se certas características estruturais estão presentes.
No terceiro caso as razões atribuídas para descrever uma característica estética, refletem o motivo para o julgamento e não uma conexão conceitual. As razões dadas para um aspecto ou outro são explicações que revelam a fonte das características estéticas, tal julgamento, quando não está administrado por conceitos, só pode ser feito através do gosto pessoal.
Qualquer aspecto não estético, ou aqueles estéticos baseados no gosto pessoal, vai falhar em sustentar a caracterização estética de uma obra. No entanto, existem julgamentos (judgment, acho que poderia ser determinações, mas no primeiro texto traduzi omo julgamento, vou deixar assim.)que não prescindem do gosto pessoal, pois são conceitualmente governados por circunstâncias contrárias (conceptually governed by negative conditions, não consegui entender o que essa frase significa). Existe uma conexão significativa e lógica que impedem a descrição de aspectos estéticos, devido a determinadas características estruturais. Exemplo: é impossível, por uma questão de semântica, que uma linha espessa, pequena e quebrada apresente elegância (Sibley defends).
Este modelo de julgamento crítico é muito aconselhável. Salienta a percepção da essência dos aspectos estéticos. Na avaliação crítica se um julgamento do tipo C com razões ligadas a aspectos do tipo B, for baseado na realidade, então para qualquer pessoa mediana, os julgamentos do tipo C serão plausíveis (Critical evaluations, c-judments, are backed up by reasons directed to b-features; and for any reasonable person such reasons, if true, plausibly support c-judments). Este relato explica que qualquer pessoa razoável que possua certas habilidades linguísticas, gosto e conhecimento conceitual, pode ver que uma obra artística apresenta valores estéticos. Neste modelo a avaliação crítica aumenta a compreensão da obra de arte. E o valor de uma obra é possivelmente ligado ao prazer proporcionado por aspectos estéticos.
Mas eu penso que o modelo apresenta falhas graves, vou focar em duas.
Primeira: existem deficiências nas condições que são dadas nas relações entre características estéticas e estruturais. Para o caso 1, é um desafio produzir alguma definição adequada para termos estéticos. Para o caso 2, aspectos estruturais não garantem elegância ou qualquer outro aspecto estético, a não ser que os aspectos sejam um relexo de afirmações de circunstâncias analíticas (reflect analytic conditional statements). Ao não apelar para um embasamento conceitual, o caso 3, confia no julgamento de alguém que apreende de forma ideal para a atribuição correta dos aspectos estéticos de uma obra. Se estas atribuições recorrem apenas a características estruturais, com ou sem contexto histórico, torna-se complicado perceber como estes julgamentos podem estar imunes de subjetividade e do gosto.[9]
Primeira: existem deficiências nas condições que são dadas nas relações entre características estéticas e estruturais. Para o caso 1, é um desafio produzir alguma definição adequada para termos estéticos. Para o caso 2, aspectos estruturais não garantem elegância ou qualquer outro aspecto estético, a não ser que os aspectos sejam um relexo de afirmações de circunstâncias analíticas (reflect analytic conditional statements). Ao não apelar para um embasamento conceitual, o caso 3, confia no julgamento de alguém que apreende de forma ideal para a atribuição correta dos aspectos estéticos de uma obra. Se estas atribuições recorrem apenas a características estruturais, com ou sem contexto histórico, torna-se complicado perceber como estes julgamentos podem estar imunes de subjetividade e do gosto.[9]
Segunda: Descrições formais estão subjacentes ao modelo popular [10]. O modelo supõe que a base, das primeiras justificativas relacionadas ao valor de uma obra, é a experiência gerada pelo foco nos aspectos formais. No valor artístico está incluído o prazer quem vem da expressão de aspectos como unidade e equilíbrio, mas é muito duvidoso que dependa apenas desta experiência. O valor de uma obra de arte encontra-se (lies) tanto em aspectos cognitivos, criativos (visionary) e sociais, quanto no prazer expressivo dos aspectos formais. Por último, qualquer orientação formalista apresenta dificuldade de explicar a relação entre interpretar e avaliar uma obra.
Vou tratar de um modelo correspondente(type-relative, não sei qual poderia ser uma boa tradução) de crítica de arte. Espero conseguir uma hipótese plausível que é mais ligada aos princípios normativos de crítica de arte do que o modelo referido acima. Antes de apresentar o modelo, eu vou expor algumas ideias que o sustentam, mas não vou fazer qualquer tentativa de defendê-las.